Licoes Aprendidas Com A Crise Hidrica Na Australia

Published: February 2016
Authors: Andrea Turner, Stuart White, Joanne Chong, Mary Ann Dickinson, Heather Cooley, and Kristina Donnelly
Pages: This partial translation has 47 pages (covering the first 37 pages of the original report)

Realizado pela Alliance for Water Efficiency (Chicago, EUA), pelo Institute for Sustainable Futures, da Universidade de Tecnologia de Sidney (Sidney, AUS) e pelo think tank Pacific Institute, ”Managing the Draught” busca identificar as estratégias que as companhias de águas urbanas e agências de águas da Austrália adotaram para sobreviver à pior seca já registrada em sua história – a ”Seca do Milênio”, que durou de 1997 até seu término oficial, em 2012.

Traduzido para o português pela Aliança Pela Água, o relatório é resultado de uma solicitação dos planejadores e gestores de recursos hídricos da Califórnia, com o objetivo de obter uma visão abrangente e objetiva dos principais eventos e iniciativas implementadas nas quatro maiores cidades da Austrália – Sydney, Melbourne, Brisbane (e a região sudeste de Queensland, circundante) e Perth.

“A ‘Seca do Milênio’ afetou o fornecimento de água nos centros urbanos de forma diversa, exigindo envolvimento significativo de agências de serviços públicos e governos, em ações realizadas na forma da criação de políticas públicas”, comenta Maria Cecilia Wey de Brito, membro do secretariado da Aliança Pela Água. “É essencial que, assim como a Califórnia, nós no Brasil conheçamos essa experiência australiana no combate à crise hídrica, de modo a absorvermos parte dos conhecimentos adquiridos e estabelecermos processos mais eficientes para cenários como esse, por aqui”, explica.

Entre as conclusões expostas no relatório, pode-se destacar:

    • Responder a uma seca grave requer tanto opções no campo da oferta quanto no campo da demanda pelos recursos hídricos. É crucial dar prioridade a opções com boa relação custo-benefício (custo mais baixo por volume). Embora um programa que se concentre no campo da demanda individual possa economizar menos água no total do que poderia ser produzido com o aumento da infraestrutura em larga escala, isso não justifica, por si só, priorizar as opções de oferta; – dependendo do contexto, algumas opções de infraestrutura de oferta de água em larga escala podem em geral ser mais caras e terem prazos mais longos para implantação. Durante a Seca do Milênio na Austrália, diversos programas de eficiência hídrica de baixo custo foram rapidamente implementados em larga escala, gerando a economia de volumes significativos de água e reduzindo a velocidade de baixa nos níveis dos reservatórios.
    • Programas sólidos no campo da demanda incentivam e promovem a economia de água por parte de todos os usuários e públicos interessados – residências, negócios, indústrias e governos. Isso maximiza o potencial de economia de água e pode atingir economias de escala, particularmente em programas residenciais voltados a variados tipos de uso. De igual importância, o envolvimento da comunidade e de todos os setores promove um sentimento de justiça, colaboração na economia de água, aceitação e apoio para estratégias de resposta à seca de maneira geral, incluindo a definição de restrições e metas.
    • Uma estratégia eficiente no campo da oferta de água considera opções tecnológicas modulares, escaláveis, diversas e inovadoras. Como é sempre difícil prever a duração e gravidade de uma seca, faz-se necessário ter uma visão rápida e ao mesmo tempo progressiva quanto à infraestrutura de oferta e decisões de contrato que evitem o aprisionamento tecnológico ou por fabricante, e previnam custos irrecuperáveis no período pós-seca. Além disso, a seca apresenta a necessidade e a oportunidade de se investir em inovação na oferta e em opções de reuso em larga escala, para testar e desenvolver formas de  implantação, políticas e aceitação pública.
    • Comunicação clara e confiável sobre a situação e a resposta à seca é fundamental para a participação e o apoio do público. Na Seca do Milênio australiana, abordagens múltiplas para a promoção, educação e comunicação trouxeram informações sobre economia de água, níveis de armazenamento de água, necessidades e expectativas quanto à seca e planos de opções alternativas de oferta. Com base em suas experiências durante a seca, algumas cidades também desenvolveram diferentes cenários com claros planos de resposta para as diferentes situações de seca avaliadas.
    • Dados consistentes e um sistema robusto de monitoramento e avaliação são fundamentais. Administrar a demanda por água requer quantificação do uso pelos setores, residências e indivíduos para ser possível a criação e implantação de medidas de economia de água bem desenhadas. De maneira similar, quantificações e análises precisas da produção de sistemas de oferta são parte integral do planejamento para articular oferta e demanda e dar resposta à seca. Quantificação da economia gerada por programas de redução do consumo de água também são importantes para melhorar o desenho de programas futuros.
    • Mecanismos de precificação de água são necessários para equilibrar economia deste recurso, receitas e metas de equidade. Durante a Seca do Milênio, a precificação não foi utilizada para incentivar a economia de água. No entanto, com a seca atingindo diversas jurisdições, os preços aumentaram significativamente, mais como resposta aos gastos em infraestrutura do que para cobrir o deficit da redução na demanda. Há potencial para se explorar mecanismos de precificação mais inovadores e neutros quanto à receita, tais como programas de bônus para usuários com baixo consumo de água e de multas para usuários com alto consumo.

Download the partial Portuguese translation of the report (through page 37) here.